Após a divulgação de que professores do Instituto Delta Proto (IDP), em Rio Verde, estão com salários atrasados e alunos enfrentam dificuldades para obter diplomas, um áudio atribuído a um coordenador da instituição revela que a escola deve encerrar as atividades.
Na gravação, o coordenador afirma que não há mais condições de manter o funcionamento do instituto. Segundo ele, desde o dia 21 de agosto de 2025, quando o delegado Dannilo Proto foi preso, tem tentado manter as aulas e o quadro de professores ativos. “Estou segurando a barra desde então, mas não há mais como continuar. Não temos professores e eu também estou sem receber desde o ano passado”, relata. Ele ainda afirma estar esgotado emocional e psicologicamente.
O coordenador também menciona ter sido informado pela prefeitura de que a instituição não poderá realizar estágios obrigatórios, etapa essencial para a conclusão dos cursos técnicos oferecidos.
Na segunda-feira (9), o instituto já havia comunicado o cancelamento de turmas, alegando baixa quantidade de alunos. A decisão ocorreu em meio à crise instalada após a prisão dos proprietários, o delegado Dannilo Proto e Karen de Souza Santos Proto.
O casal é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Goiás (MPGO), por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos, fraudes em contratos educacionais e concursos, além de coação.
Ex-funcionários e alunos relataram um cenário de desorganização administrativa. Estudantes de cursos técnicos como Radiologia, Necropsia e Estética afirmam que foram surpreendidos com a suspensão das aulas após meses de investimento financeiro e reorganização da rotina pessoal. Parte das turmas recebeu apenas declarações de transferência e históricos escolares preenchidos manualmente, enquanto outros estudantes dizem não ter recebido documentação mínima.
Segundo relatos, a coordenação não teria acesso ao sistema financeiro da instituição para realizar cancelamentos contratuais ou emitir documentos definitivos, o que aumentou o receio de cobranças futuras mesmo com o encerramento das atividades.
A crise também atinge a estrutura física do instituto. Informações apontam que há pelo menos sete meses de aluguel em atraso, além de débitos de água e energia. O proprietário do imóvel teria acionado a Justiça para desocupação. Há ainda tentativa de venda da escola para quitar as dívidas, mas a negociação não foi concluída.
Do lado dos professores, a situação é de incerteza. Uma docente relatou que os atrasos salariais já ocorriam antes mesmo das prisões de Dannilo Proto e Karen de Souza Santos Proto e que, após o episódio, o cenário se agravou.
Prisão e investigações
Dannilo Proto foi preso em agosto de 2025 durante operação do MPGO, sob suspeita de liderar esquema que teria desviado mais de R$ 2,2 milhões de recursos de escolas estaduais em Rio Verde, por meio de contratos irregulares. Segundo as investigações, ele e Karen de Souza Santos Proto, ex-coordenadora Regional de Educação no município, seriam sócios do Instituto Delta Proto, que teria sido beneficiado em contratos relacionados a reformas, impressão de materiais didáticos e organização de concurso público da Câmara de Rio Verde.
Desde 2020, pelo menos 40 contratos sem licitação estariam sob suspeita de irregularidades. A investigação teve início em 2023.
O delegado já havia sido afastado anteriormente, em 2015, em outra apuração conduzida pelo Ministério Público de Goiás, por suspeita de corrupção após denúncia envolvendo valores recebidos de um fazendeiro que recuperou gado furtado. À época, ele afirmou que parte do dinheiro teria sido destinada à melhoria das instalações da unidade policial.
O caso segue sob investigação, enquanto alunos e profissionais aguardam definição sobre o futuro da instituição.
Com informações de Mais Goiás.
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