Técnica de enfermagem foi demitida após gravar trend em hospital Foto: Reprodução/Instagram de Sirlany Maria
Uma técnica de enfermagem de 47 anos foi demitida por justa causa após publicar nas redes sociais um vídeo gravado durante um plantão em um hospital de Jataí, no sudoeste de Goiás. As imagens ultrapassaram 120 mil visualizações no Instagram e ganharam repercussão após serem compartilhadas por um portal regional.
Sirlany Maria de Souza trabalha na área há 25 anos e afirma que passou cerca de duas décadas na unidade onde ocorreu a gravação. Para ela, a demissão foi injusta, principalmente porque nunca havia recebido advertência por publicações semelhantes.
O vídeo foi feito em 27 de julho. Na gravação, integrantes da equipe de emergência aparecem durante um plantão ao som da música que viralizou nas redes sociais. Segundo Sirlany, o conteúdo mostrava apenas a rotina dos profissionais e não registrava pacientes nem áreas de atendimento.
Três dias depois da publicação, ela foi chamada pelo setor de Recursos Humanos e comunicada sobre a demissão por justa causa. Conforme o relato da técnica, a justificativa apresentada pela gerente do RH foi a repercussão negativa que o vídeo teria provocado para o hospital.
Sirlany acredita que a divulgação do caso por um portal regional contribuiu para a decisão da empresa terceirizada responsável pelo vínculo profissional.
Ela afirma que esperava, no mínimo, receber uma advertência antes de ser desligada. Segundo a técnica, o vídeo não tinha, inicialmente, a intenção de gerar grande repercussão e era semelhante a outros conteúdos que ela já havia publicado sem receber advertências.
A repercussão do episódio não impediu Sirlany de voltar ao mercado de trabalho. No próprio dia em que foi demitida, segundo ela, uma médica ofereceu uma oportunidade profissional. Posteriormente, a técnica começou a trabalhar em uma clínica de estética.
Em nota, o hospital afirmou que pode aplicar medidas disciplinares quando são comprovadas condutas incompatíveis com as normas da instituição, princípios éticos ou obrigações profissionais.
A unidade informou ainda que suas decisões seguem a legislação e os procedimentos internos. Por questões de privacidade e confidencialidade, o hospital não detalhou o caso específico envolvendo a profissional.
O Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) explicou que profissionais da categoria precisam conhecer as normas que regulamentam o exercício da profissão.
O órgão citou o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, previsto na Resolução Cofen nº 564/2017. O artigo 86, parágrafo único, estabelece entre as proibições fazer referência a casos, situações ou fatos e publicar imagens capazes de identificar pessoas ou instituições sem autorização prévia, independentemente do meio de comunicação utilizado.
O Coren-GO também mencionou a Resolução Cofen nº 554, de 17 de julho de 2017, que estabelece critérios para práticas de uso e comportamento de profissionais de enfermagem nos meios de comunicação.
Segundo o conselho, a liberdade de expressão dos profissionais deve ser exercida com responsabilidade, integridade e ética, incluindo o respeito à privacidade de pacientes e instituições.
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