O panorama do trânsito divulgado pelo Detran-GO aponta um avanço relevante na segurança viária em Goiás. A comparação entre os anos de 2024 e 2025 revela uma redução significativa no número de mortes provocadas por acidentes, resultado atribuído a um conjunto de ações integradas de fiscalização, educação e gestão do trânsito, realizadas em parceria com outros órgãos.
Os dados mostram que o volume total de acidentes praticamente se manteve estável. Em 2024, foram registrados 100.977 sinistros em todo o estado, enquanto em 2025 o número caiu levemente para 100.917 ocorrências, uma variação negativa de apenas 0,06%. Em 2023, Goiás havia contabilizado 102.933 acidentes.
A principal mudança aparece no número de vítimas fatais. Em 2024, 1.021 pessoas perderam a vida no trânsito goiano. Já em 2025, esse total caiu para 908 mortes, representando uma redução de 11,1%. Dois anos antes, em 2023, o estado havia registrado 1.084 óbitos.
Para o presidente do Detran-GO, Delegado Waldir, a queda é motivo de reconhecimento, mas não de acomodação. Segundo ele, apesar dos avanços, o número de mortes ainda é alto. “Há cerca de 15 anos, Goiás chegava a quase duas mil mortes por ano. Reduzimos esse número pela metade, mas ainda é inaceitável pensar que 908 famílias enfrentam o luto por tragédias que poderiam ter sido evitadas com respeito às leis de trânsito”, afirmou.
O levantamento também indica um leve aumento no número de feridos. Em 2024, foram contabilizadas 101.967 pessoas feridas em acidentes. Em 2025, o total subiu para 102.405, alta de 0,43%, o que reforça a necessidade de ampliar ações educativas e de conscientização sobre comportamentos seguros no trânsito.
A maior parte dos acidentes continua concentrada nas áreas urbanas. Em 2024, 86,9% dos sinistros ocorreram nas cidades e 13,1% em zonas rurais. Em 2025, a proporção foi de 86% em áreas urbanas e 14% em áreas rurais.
O perfil das vítimas fatais permanece praticamente o mesmo. Os homens seguem sendo maioria, representando 69% das mortes em 2024 e 68,1% em 2025. As mulheres corresponderam a 31% e 31,9% dos óbitos, respectivamente.
De acordo com o Detran-GO, excesso de velocidade, consumo de álcool associado à direção, uso de celular ao volante e ultrapassagens proibidas continuam entre as principais causas de acidentes com vítimas no estado.
Para a autarquia, a redução da letalidade reflete um trabalho contínuo e integrado. Nos últimos anos, o Detran-GO intensificou campanhas educativas, que renderam quatro prêmios nacionais, além de ampliar as ações da Escola Pública de Trânsito, com cursos e palestras em escolas e empresas.
Em parceria com a Polícia Militar, foram implantados 21 núcleos regionais da Balada Responsável, fortalecendo a fiscalização. Também houve investimento em equipamentos como bafômetros, veículos, motocicletas e barreiras, repassados a outros órgãos fiscalizadores.
Com o programa Sinaliza Goiás, o Detran-GO implantou e revitalizou a sinalização viária em todos os 246 municípios goianos, além de apoiar o recapeamento de vias urbanas por meio de repasses à Goinfra. Outra iniciativa de destaque é a Mini Cidade, espaço voltado à educação para o trânsito de crianças, com foco na formação de cidadãos mais conscientes desde cedo.
A análise por tipo de veículo mostra que automóveis e motocicletas concentram a maior parte das mortes. Em 2024, 34,7% dos óbitos envolveram automóveis e 32,4% motocicletas. Em 2025, as motocicletas responderam por 30,1% das mortes e os automóveis por 27,1%. Em ambos os anos, cerca de um terço dos registros foi classificado como tipo de veículo ignorado.
Para o presidente do Detran-GO, os números indicam que o caminho adotado é correto, mas exigem continuidade. “Preservar vidas no trânsito é uma tarefa permanente. Avançamos, mas ainda há muito a fazer com políticas públicas baseadas em dados, educação e responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade”, concluiu.
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