O vereador e ex-secretário municipal de Cultura, Zander Fábio (Podemos), foi preso na manhã desta terça-feira (26), durante uma operação da Polícia Civil de Goiás que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Goiânia, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
Segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera, o parlamentar estava em uma igreja da capital no momento em que percebeu a movimentação policial. Ainda conforme a reportagem, ele acessou pelo celular o sistema de câmeras de segurança da própria residência e, ao identificar a presença das equipes policiais, tentou fugir.
A ação faz parte da operação “Cultura Em Cena”, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), que apura a atuação de uma associação criminosa formada por agentes públicos e particulares ligados à Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia em 2024.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além da proibição de contratação com o poder público.
De acordo com a investigação, empresas de fachada teriam sido utilizadas para desviar recursos públicos por meio de contratações diretas sem licitação. A polícia afirma que o esquema envolvia pagamentos sequenciais, muitas vezes feitos no mesmo dia e com valores idênticos, destinados a empresas recém-criadas e sem histórico de atuação.
As justificativas apresentadas nos contratos indicavam supostos serviços prestados em eventos de exibição de carros antigos organizados por um clube de Goiânia. Entre os serviços estavam funções como produção de palco, direção logística e produção executiva.
Segundo a PCGO, pelo menos 41 operações consideradas irregulares foram identificadas, somando mais de R$ 1,5 milhão em desvios.
Os investigadores também apontaram que uma das empresas investigadas funcionava no endereço residencial de um dos envolvidos, sem estrutura física ou funcionários. A polícia destacou ainda que os proprietários das empresas e os profissionais supostamente contratados tinham vínculos com o clube investigado, incluindo familiares, amigos e diretores.
Conforme a apuração, parte do dinheiro desviado retornava aos investigados de forma direta ou indireta, inclusive para o pagamento de despesas pessoais.
Em nota, a assessoria do ex-prefeito Rogério Cruz informou que ele “não é investigado na operação deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Civil de Goiás” e afirmou confiar no trabalho das autoridades para o esclarecimento dos fatos.
A Câmara Municipal de Goiânia também divulgou nota afirmando que acompanha a investigação e ressaltando que o Poder Legislativo não é alvo nem parte da operação.
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