Durante entrevista concedida a Anant Goenka, do Express Adda, o CEO da OpenAI, Sam Altman, contestou as críticas relacionadas ao impacto ambiental da Inteligência Artificial e negou estimativas amplamente divulgadas sobre o consumo de água e energia do ChatGPT. A declaração foi feita no último sábado.
Altman classificou como “totalmente falsa” a afirmação de que cada consulta ao ChatGPT consome 17 galões de água. Segundo ele, esse número já foi verdadeiro no passado, quando data centers utilizavam sistemas de resfriamento evaporativo. “Costumávamos usar resfriamento evaporativo em data centers, mas agora não usamos mais”, afirmou.
O executivo reconheceu que o consumo de eletricidade é uma questão legítima, mas ponderou que os níveis frequentemente atribuídos a cada consulta são exagerados.
O impacto ambiental da IA tem sido alvo de crescente debate internacional. Em janeiro, as Nações Unidas alertaram que a demanda global por eletricidade deverá crescer mais de 10.000 terawatts-hora até 2035 — volume equivalente ao consumo atual de todas as economias avançadas somadas.
Os custos energéticos estão entre as principais despesas da indústria de Inteligência Artificial, o que tem gerado preocupação em meio ao aumento das contas de luz. No Vale do Silício, por exemplo, já há sinais de escassez de energia.
Empresas do setor buscam alternativas para sustentar a expansão da tecnologia. Elon Musk, por exemplo, anunciou a utilização de uma usina dedicada para alimentar um super data center com 1 milhão de GPUs voltadas à IA. Já a Microsoft aposta em tecnologias de supercondutores para reduzir perdas energéticas em centros de dados.
A declaração mais controversa de Altman ocorreu quando ele comparou o consumo energético da IA ao necessário para formar a inteligência humana.
Segundo o CEO, “também é preciso muita energia para treinar um humano”. Ele afirmou que são necessários cerca de 20 anos de vida, além de toda a alimentação consumida nesse período, para que uma pessoa se torne intelectualmente desenvolvida.
Altman ampliou a comparação ao mencionar o processo evolutivo da humanidade. De acordo com ele, foi necessária a evolução de bilhões de pessoas ao longo da história — aprendendo a sobreviver e desenvolvendo conhecimento científico — para que cada indivíduo pudesse absorver o que aprende hoje.
Para o executivo, a comparação correta deve considerar o gasto energético de uma resposta da IA já treinada frente ao gasto de energia de um humano ao responder a mesma pergunta. Na visão dele, a Inteligência Artificial já teria alcançado eficiência energética equivalente à humana nesse aspecto.
O debate em torno da IA não se limita ao impacto ambiental. Reportagem do Washington Post apontou que o investimento maciço em Inteligência Artificial teria contribuído “praticamente com zero” para o crescimento econômico dos Estados Unidos no último ano, segundo cálculos do banco Goldman Sachs.
De acordo com a análise, os gastos das empresas de tecnologia com IA representaram metade ou mais do crescimento americano no período. Sem esses investimentos, a economia estaria enfraquecida. No entanto, parte desses aportes pode não gerar retorno proporcional.
Estudos recentes indicam que a IA não necessariamente reduz a carga de trabalho, podendo inclusive ampliá-la em determinadas funções. Outro levantamento aponta que apenas 2,5% dos empregos devem ser efetivamente substituídos pela tecnologia.
Com informações de Adrenaline.
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