Canva
Dormir oito horas seguidas durante a noite é frequentemente tratado como o padrão ideal de descanso, mas pesquisas históricas e científicas indicam que esse hábito é relativamente recente na história da humanidade. Segundo especialistas, durante séculos, o mais comum era que as pessoas dormissem em dois períodos distintos ao longo da noite.
Esse padrão, conhecido como “primeiro sono” e “segundo sono”, incluía um intervalo de vigília que podia durar cerca de uma hora no meio da madrugada. Registros históricos da Europa, África e Ásia mostram que, após o anoitecer, as famílias iam dormir cedo, acordavam por volta da meia-noite e, depois desse intervalo, voltavam a repousar até o amanhecer.
Durante esse período de vigília noturna, as pessoas realizavam atividades variadas. Algumas cuidavam do fogo ou dos animais, enquanto outras aproveitavam o momento de silêncio para rezar, refletir, ler, escrever ou conversar calmamente. Há relatos históricos que indicam que muitos casais também utilizavam esse intervalo para momentos de intimidade.
Referências à divisão do sono aparecem em textos literários antigos, incluindo obras atribuídas a autores da Grécia e da Roma antigas, o que reforça que esse modelo era amplamente aceito em diferentes culturas.
O desaparecimento do chamado “segundo sono” ocorreu principalmente nos últimos dois séculos, impulsionado por mudanças sociais profundas. A popularização da iluminação artificial permitiu que as pessoas permanecessem acordadas até mais tarde, reduzindo o tempo total de escuridão.
Além disso, a luz noturna interfere diretamente no ritmo circadiano, suprimindo a produção de melatonina e dificultando o despertar natural durante a madrugada. A Revolução Industrial também contribuiu para a consolidação do sono contínuo, ao impor horários rígidos de trabalho e descanso.
Experimentos científicos que simulam longas noites sem luz artificial mostram que muitas pessoas voltam espontaneamente a adotar dois períodos de sono. Estudos realizados em comunidades sem acesso à eletricidade também apontam padrões semelhantes.
A luz natural desempenha papel fundamental na regulação do relógio biológico. Durante o inverno, a redução da luminosidade matinal pode dificultar o alinhamento do ritmo circadiano, aumentando a sensação de confusão temporal e afetando o humor.
Pesquisas indicam que ambientes com pouca luz fazem o tempo parecer passar mais lentamente, especialmente em pessoas com humor mais sensível às variações ambientais. Esse fator ajuda a explicar por que despertares noturnos costumam ser acompanhados de ansiedade.
Especialistas em sono ressaltam que despertares breves durante a noite são normais e fazem parte das transições entre os estágios do sono. O principal fator de impacto é a forma como a pessoa reage a esses despertares.
Terapias voltadas ao tratamento da insônia recomendam atividades calmas sob luz fraca caso o sono não retorne rapidamente, além de evitar a fixação no relógio. A aceitação do estado de vigília e a compreensão de que esse padrão é profundamente humano podem contribuir para um descanso mais saudável.
*Com informações do The Conversation
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.