O governo da Alemanha afirmou que caberá exclusivamente à Federação Alemã de Futebol (DFB) e à Fifa decidir, com total autonomia, se haverá ou não um boicote à próxima Copa do Mundo, marcada para acontecer em seis meses no Canadá, Estados Unidos e México. A declaração foi feita após questionamentos sobre possíveis retaliações às ameaças do ex-presidente americano Donald Trump.
Trump voltou a gerar tensão internacional ao falar em anexar a Groenlândia e impor tarifas mais duras contra países europeus que se opuserem ao plano. Diante desse cenário, a Agência France-Presse (AFP) procurou o governo alemão para saber se um boicote ao Mundial poderia ser considerado.
Em resposta, a secretária de Estado do Esporte da Alemanha, Christiane Schenderlein, afirmou por e-mail que o governo federal respeita a autonomia do esporte e não interfere nesse tipo de decisão. Segundo ela, a participação ou não em grandes eventos esportivos é de responsabilidade exclusiva das federações envolvidas.
“O governo federal respeita a autonomia do esporte. As decisões relativas à participação em grandes eventos esportivos ou a boicotes não cabem à esfera política”, destacou Schenderlein, que é filiada à União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz.
Apesar da posição oficial do governo, o tema tem provocado debate dentro do parlamento alemão. O deputado conservador Roderich Kiesewetter declarou ao jornal Augsburger Allgemeine que seria difícil imaginar a participação de países europeus na Copa do Mundo caso Trump leve adiante as ameaças contra a Groenlândia e inicie uma guerra comercial com a União Europeia.
Outro parlamentar da CDU, Jürgen Hardt, afirmou ao Bild que o cancelamento ou boicote do torneio poderia ser considerado como um “último recurso” para pressionar Trump. Já o deputado social-democrata Sebastian Roloff, do SPD, defendeu ao Handelsblatt uma resposta unificada da Europa, incluindo a possibilidade de retirada da competição.
A discussão também ganhou apoio popular. Pesquisa do instituto INSA, realizada com mil pessoas para o Bild, aponta que 47% dos alemães aprovam um boicote à Copa do Mundo caso os Estados Unidos anexem a Groenlândia. Outros 35% se disseram contrários à medida.
Tetracampeã mundial, a seleção da Alemanha só ficou fora de uma Copa do Mundo uma única vez, em 1950, no período pós-Segunda Guerra Mundial. O cenário internacional ganha ainda mais complexidade pelo fato de Donald Trump manter uma relação próxima com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que chegou a entregar ao americano o recém-criado Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio do Mundial, em dezembro.
A Copa do Mundo está programada para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos distribuídos entre Canadá, Estados Unidos e México.
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