Foto: Divulgação
O ex-governante venezuelano Nicolás Maduro deve comparecer nesta segunda-feira (5) a um tribunal federal em Manhattan, nos Estados Unidos, para responder a acusações de narcoterrorismo. A audiência ocorre poucos dias após sua captura pelo Exército americano em Caracas, em uma operação que reacendeu debates sobre o futuro político da Venezuela, país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
Maduro, de 63 anos, e a esposa, Cilia Flores, foram presos no sábado (3) e transferidos para o Brooklyn. Eles devem se apresentar ao juiz Alvin K. Hellerstein por volta das 12h. Até o momento, não há confirmação oficial se o casal já constituiu advogados ou se apresentará defesa formal nesta primeira audiência.
De acordo com a imprensa norte-americana, a expectativa é de que ambos se declarem inocentes, o que pode levar o magistrado a determinar a manutenção da prisão até o julgamento. Ainda não há previsão para o início do processo, mas veículos como o The New York Times indicam que o caso pode se arrastar por mais de um ano.
Os Estados Unidos consideram Maduro um governante ilegítimo desde as eleições de 2018, marcadas por denúncias de irregularidades. Sua captura é apontada como a intervenção mais direta de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá, ocorrida há 37 anos.
O juiz responsável pelo caso foi designado ainda em 2020, quando as primeiras acusações formais foram apresentadas. Ele é conhecido por decisões cautelosas em processos de grande repercussão e, recentemente, rejeitou tentativas do governo americano de aplicar leis de guerra para deportações em massa.
Segundo o Ministério Público Federal do Distrito Sul de Nova York, Maduro é acusado de liderar, por décadas, uma organização criminosa formada por autoridades políticas e militares venezuelanas, que teria atuado em parceria com grupos de tráfico de drogas e organizações classificadas pelos EUA como terroristas.
A nova acusação, divulgada no sábado, aponta que o esquema teria ligação com cartéis internacionais e grupos armados, com o objetivo de enviar grandes quantidades de cocaína para os Estados Unidos. Os promotores afirmam que houve uso de estruturas do Estado venezuelano para facilitar o tráfico, incluindo proteção armada e rotas alternativas de contrabando.
Entre os crimes atribuídos estão narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de armas de uso restrito e conspiração armada. Caso condenado, Maduro pode enfrentar penas que variam de longas décadas de prisão até prisão perpétua.
As investigações abrangem um período que vai desde o início da carreira política de Maduro, no início dos anos 2000, passando por cargos ministeriais, até sua chegada ao poder em 2013. A acusação sustenta que, ao longo desses anos, teriam sido utilizados recursos estatais, estruturas diplomáticas e forças de segurança para sustentar o esquema criminoso.
Especialistas em direito afirmam que o principal desafio da promotoria será comprovar o envolvimento direto de Maduro nas decisões operacionais do tráfico, ponto considerado crucial para uma eventual condenação.
A operação americana gerou reações imediatas no cenário internacional. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir o caso, enquanto representantes da Rússia e da China criticaram duramente a ação dos Estados Unidos. O secretário-geral da ONU classificou a operação como um precedente perigoso para a ordem internacional.
A captura de Maduro ocorre em meio a uma escalada de tensões diplomáticas e militares, após meses de pressão do governo americano, incluindo sanções, apreensão de embarcações suspeitas e ações contra rotas ilegais associadas ao narcotráfico.
Com informações de Mais Goiás.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.