Meta bloqueia mais de 550 mil contas de jovens após Austrália proibir redes sociais para menores de 16 anos

POR Marcos Paulo | 13/01/2026
Meta bloqueia mais de 550 mil contas de jovens após Austrália proibir redes sociais para menores de 16 anos

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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A Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram, Facebook e Threads, bloqueou cerca de 550 mil contas de jovens australianos entre os dias 4 e 11 de dezembro de 2025, logo após a entrada em vigor de uma nova lei que proíbe o uso de redes sociais por menores de 16 anos no país. A ação é considerada um dos maiores movimentos de restrição digital já registrados.

 

Segundo dados divulgados pela própria empresa, somente na primeira semana de aplicação da legislação foram bloqueadas 330.639 contas no Instagram, 173.497 no Facebook e 39.916 no Threads. A Austrália se tornou, em 10 de dezembro de 2025, o primeiro país do mundo a adotar uma proibição ampla desse tipo.

 

A nova lei determina que plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube removam ou impeçam a criação de contas por usuários com menos de 16 anos. O objetivo é proteger crianças e adolescentes dos impactos negativos de conteúdos e algoritmos considerados prejudiciais ao desenvolvimento e à saúde mental.

 

O governo australiano e ativistas defendem a medida como necessária diante do aumento de problemas relacionados à saúde mental dos jovens. A política vem sendo acompanhada de perto por outros países, não apenas pela idade mínima elevada, mas também por não permitir exceções, nem mesmo com autorização dos pais, o que torna a legislação uma das mais rígidas do mundo.

 

Apesar de reconhecer a importância de ampliar a segurança online, empresas de tecnologia criticam o formato adotado. Em declaração à BBC, a Meta afirmou que defende um diálogo mais construtivo com o governo e sugeriu alternativas às “proibições generalizadas”, como padrões mais altos de experiências digitais seguras e adequadas à idade, com preservação da privacidade.

 

A empresa também voltou a defender que a verificação de idade seja responsabilidade das lojas de aplicativos, e não das plataformas. Segundo a Meta, isso garantiria proteções mais consistentes em toda a indústria e reduziria tentativas de jovens migrarem para novas aplicações para burlar a lei.

 

A legislação tem amplo apoio popular na Austrália, especialmente entre pais, e é vista com bons olhos por líderes políticos internacionais. Nos Estados Unidos e na União Europeia, iniciativas semelhantes estão em debate, embora nenhuma com o mesmo nível de restrição. No cenário político australiano, conservadores já sinalizaram que pretendem manter ou até endurecer a política caso vençam as próximas eleições, previstas para antes de 2029.

 

Mesmo assim, a medida não é consenso. Especialistas alertam que a proibição pode ser facilmente contornada com a falsificação de idade e que jovens podem migrar para espaços online menos seguros. Há ainda críticas de que a lei pode aumentar o isolamento de crianças e adolescentes, especialmente de comunidades LGBTQ+, jovens neurodivergentes ou moradores de áreas rurais, que utilizam as redes como importantes meios de conexão e apoio.

 

As empresas que descumprirem a legislação estão sujeitas a multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos.

 

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