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Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais por câncer de mama que brancas

POR Redação | 02/11/2026
Mulheres negras morrem 3,8 vezes mais por câncer de mama que brancas

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Mulheres negras apresentam uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que a registrada entre mulheres brancas, apesar de estas últimas terem maior incidência da doença. O dado faz parte de uma publicação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançada nesta terça-feira (27), no Rio de Janeiro, durante as ações do Outubro Rosa.

O estudo integra a série Disparidades Raciais e Câncer de Mama: um Olhar para a Saúde das Mulheres Negras e analisa diferenças raciais na ocorrência e nos desfechos da doença. Segundo o instituto, as desigualdades podem estar relacionadas tanto às características dos tumores quanto às condições de acesso aos serviços de saúde.

Diagnóstico tardio e tumores mais agressivos

A coordenadora da Divisão de Detecção Precoce do Inca, Renata Maciel, apontou que mulheres negras apresentam maior incidência do subtipo triplo negativo, considerado mais agressivo. A pesquisadora também destacou evidências de menor realização de exames de rastreamento entre mulheres negras.

A análise considera mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária em que, segundo o levantamento, mulheres brancas realizam mais exames preventivos. As diferenças no acesso à detecção precoce e às terapias podem contribuir para que a doença seja identificada em estágios mais avançados entre mulheres negras.

Para o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, a combinação entre tumores biologicamente mais agressivos e barreiras no atendimento ajuda a compreender a disparidade observada nos índices de mortalidade.

Desigualdade social também influencia os resultados

O documento destaca que fatores socioeconômicos, dificuldades para acessar os serviços de saúde e situações de estresse relacionadas às condições de vida podem contribuir para as diferenças raciais nos indicadores da doença.

A publicação também recomenda considerar aspectos ligados à ancestralidade e à genética para compreender melhor as disparidades. Entre as medidas propostas estão o fortalecimento das políticas de prevenção e promoção da saúde, com atenção especial às populações mais vulneráveis.

O Inca aponta a importância de reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, além de estimular hábitos protetores, incluindo alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno. Durante o lançamento, Roberto Gil também chamou atenção para o consumo de álcool entre mulheres negras, relacionando o hábito ao risco de câncer de mama.

Relato mostra a importância dos exames de rotina

A artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, descobriu o câncer de mama em 2019, durante uma campanha de exames de rotina do Outubro Rosa. Na época, ela não apresentava sintomas.

Após o diagnóstico, passou por três cirurgias, retirou uma das mamas e realizou a reconstrução mamária. Solange também relatou não conhecer a família paterna e afirmou ter sido a primeira pessoa da família materna a receber o diagnóstico.

Câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras. Cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem em pessoas com 50 anos ou mais.

De acordo com as estimativas citadas na publicação, aproximadamente 17% dos casos podem ser prevenidos por meio de hábitos saudáveis, como a prática de atividade física, a manutenção do peso adequado, a redução do consumo de bebidas alcoólicas e o aleitamento materno.

O lançamento do estudo ocorreu na sede do Inca, na Praça Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro, e também marcou o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

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