O governo brasileiro avalia que as duas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil terão efeito cumulativo, o que pode elevar a sobretaxa sobre produtos brasileiros para até 37,5%, caso não haja acordo entre os dois países.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o percentual considera uma nova taxação estimada em 12,5%, prevista em documento divulgado na noite de terça-feira (2) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A medida atinge o Brasil e outras 59 economias que, segundo os norte-americanos, não adotaram ações suficientes para combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A nova cobrança se soma à tarifa anunciada anteriormente, na segunda-feira (1º), também pelo USTR. Nesse caso, a medida está relacionada a uma investigação comercial conduzida especificamente contra o Brasil.
Apesar do endurecimento das medidas, o governo federal ainda acredita na possibilidade de negociação. Integrantes da diplomacia brasileira afirmam que o país já esperava ser incluído na lista divulgada pelos Estados Unidos e trabalham para tentar evitar a aplicação das tarifas.
Nos bastidores, fontes ligadas ao Itamaraty avaliam que a mais recente rodada de tarifas tem como principal alvo a China. A interpretação é de que o governo do presidente Donald Trump busca pressionar países que mantêm operações de empresas chinesas em seus territórios.
Já em relação à primeira taxação anunciada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que há um componente político na decisão americana.
A audiência sobre a ação proposta pelo USTR está marcada para 6 de julho, enquanto a possível aplicação das chamadas “medidas corretivas” está prevista para 15 de julho, prazo que ainda permite negociações entre os dois governos.
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