A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passou a valer nesta quarta-feira (22), intensificando as tensões comerciais entre os dois países. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de utilizar tarifas como instrumento de negociação com parceiros comerciais.
A cobrança foi aplicada após uma investigação conduzida por autoridades americanas, que apontou supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. O governo brasileiro, no entanto, sinalizou que pretende buscar uma solução por meio do diálogo. Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país continuará negociando com Washington, sem adotar medidas de retaliação.
Apesar da nova tarifa, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, como carne bovina, café e peças de aeronaves, permanecerão isentos. Segundo estimativas da pesquisadora Valentina Sader, do Atlantic Council, cerca de metade das exportações brasileiras para o mercado americano continuará livre da cobrança.
Especialistas avaliam que a decisão dos Estados Unidos vai além da questão comercial. Para Sader, a justificativa apresentada por Washington, de que o governo brasileiro não negociou de boa-fé, reforça a percepção de que a medida também possui um componente político direcionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Câmara de Comércio Americana para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a nova tarifa poderá atingir mais de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55,8 bilhões) em exportações brasileiras.
A medida ocorre em meio à retomada da política tarifária de Donald Trump. Embora parte das tarifas anteriores tenha sido anulada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro, o governo americano passou a utilizar outros instrumentos legais para manter sua agenda comercial.
Além do Brasil, Washington também prepara novas medidas contra outros parceiros comerciais. Autoridades americanas estudam tarifas entre 10% e 12,5% para cerca de 60 países, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. A expectativa é que essas novas taxas substituam a tarifa global temporária de 10%, que vence nesta semana.
Na terça-feira (21), Trump também anunciou uma tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos importados, prevista para entrar em vigor em agosto de 2028. A alíquota deverá subir para 200% em 2029.
O Canadá também foi alvo de novas sanções comerciais. O governo americano anunciou uma sobretaxa adicional de 50% sobre produtos canadenses, com início previsto para daqui a um mês. Segundo Washington, a medida responde às tarifas adotadas pelo Canadá contra produtos americanos. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que seu governo avalia todas as alternativas e confirmou que as negociações com os Estados Unidos serão intensificadas nas próximas semanas.
Com informações de CNN Brasil.
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