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O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, foi confrontado em tribunal durante um julgamento considerado histórico nos Estados Unidos. O caso discute o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens usuários.
Em depoimento, Zuckerberg afirmou repetidamente que a Meta — responsável por Facebook e Instagram — não permite o uso das plataformas por crianças menores de 13 anos. No entanto, advogados apresentaram documentos internos que indicam discussões estratégicas envolvendo esse público.
O processo foi movido por uma mulher da Califórnia que afirma ter desenvolvido depressão e pensamentos suicidas após utilizar o Instagram e o YouTube ainda na infância. Ela alega que as empresas buscaram ampliar o engajamento de crianças e adolescentes, mesmo cientes dos riscos à saúde mental.
A Meta e o Google negam as acusações e afirmam que implementaram recursos para aumentar a segurança dos usuários.
Durante o julgamento com júri em Los Angeles, foram apresentados materiais internos, incluindo uma apresentação de 2018 que indicava a importância de atrair usuários ainda na pré-adolescência para garantir sucesso entre adolescentes.
Zuckerberg contestou a interpretação feita pela acusação e afirmou que a empresa avaliou, em diferentes momentos, versões de serviços voltadas a crianças, mas que um projeto de Instagram para menores de 13 anos não foi adiante.
Outro ponto central foi o debate sobre tempo de uso. O CEO já havia declarado ao Congresso dos EUA que não orientou equipes a maximizar o tempo gasto no aplicativo. No entanto, e-mails de 2014 e 2015 mostraram metas de aumento em dois dígitos no tempo de permanência.
Zuckerberg argumentou que a abordagem da empresa mudou ao longo dos anos e que os números apresentados em documentos de 2022 representavam projeções administrativas, não metas formais. Ele afirmou ainda que adolescentes representam menos de 1% da receita do Instagram.
O julgamento integra uma série de ações movidas por famílias, distritos escolares e estados norte-americanos contra empresas como Meta, Google, Snap Inc. e TikTok.
Nos Estados Unidos, milhares de processos acusam as plataformas de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens. A legislação americana tradicionalmente protege empresas de tecnologia quanto a conteúdos publicados por terceiros, mas as novas ações se concentram no design e funcionamento dos aplicativos.
O debate também ganhou dimensão internacional. A Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, enquanto o estado da Flórida vetou a presença de usuários menores de 14 anos nas plataformas — medida contestada judicialmente por associações do setor.
O veredicto do júri pode estabelecer precedentes relevantes para o setor de tecnologia.
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